seria épico se só o amor bastasse

seria épico se só o amor bastasse. mas não basta, há pessoas que amam ainda mais quando perde, é uma péssima piada essa característica humana. eu gosto mais da paixão, ela muitas vezes vem primeiro que o amor, e permanece, não muda, o amor em contrapartida, é volúvel, sujeito a oscilações diárias, vezes aumenta, e vezes em um momento de chateação, você se vê achando que ama menos, existe o amor pela amizade, o amor familiar, e aquela coisa que achamos que é amor e no final é só um mero costume, mas a paixão é uma, estar apaixonado por alguém é único, você não consegue estar apaixonada por duas pessoas, a paixão consome os pensamentos, dita minhas vontades, constrói um andar na minha mente, onde só o que importa é estar com esse alguém. me vejo totalmente apaixonada, e ela permanece exatamente igual, inabalável, o louco é que diferente do amor, eu posso acordar e não estar apaixonada e não ter nenhuma explicação lógica pra isso.

Talvez seja aí que mora o risco — e o encanto — da paixão. Ela não pede constância, não faz promessas, não se organiza em fases como o amor tenta fazer. Ela simplesmente acontece, toma espaço, bagunça tudo e, quando vai embora, leva junto uma versão inteira de quem eu era enquanto ela existia.

O amor, por mais instável que seja, ainda tenta ficar. Ele negocia, releva, se reconstrói. A paixão não. Ela é inteira ou não é nada. Não aceita meio termo, não sabe ser morna. E talvez por isso seja tão viciante — porque enquanto ela existe, tudo parece mais vivo, mais urgente, mais importante. Porque viver em estado de paixão é viver à flor da pele o tempo todo. E ninguém sustenta isso pra sempre. Em algum momento, ou ela vira outra coisa… ou ela simplesmente deixa de ser.

E talvez o que mais confunda seja isso: quando a paixão vai embora, a gente se pergunta se o amor ficou… ou se nunca esteve ali de verdade.

_não cabe mais em mente. Por A. Petrova.

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